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Literatura

A importância da representatividade é a importância de se ver incluído
Luan Pires

Hoje é 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, data que marca a rebelião de Stonewall Inn no ano de 1969. Nesta data, a diversidade volta a ser destaque e isso é ótimo. Hoje, no Brasil, buscamos duas vezes mais sobre termos ligados à diversidade do que em 2012, o que indica que a agenda está chegando em mais gente.

Quando eu era criança, e aqui vou falar da minha experiência pessoal, cresci com a televisão estampando personas gays caricatas ou resumidas em figuras de humor. Não via um relacionamento gay sendo instituído. Eu acreditava que ser gay seria minha sentença de solidão ou ditada por aquelas representações que não conversavam com minha necessidade. Era outra época, mas ainda assim, muitas crianças como eu não vão ter de volta uma construção natural da sua identidade porque cresceram não vendo isso. O que não se vê, não existe (pelo menos quando falamos em representação). A representatividade não é uma questão de justiça e equidade, somente. É de saúde mental. Não pode fugir dessa responsabilidade.

E, não nego, movimentos começaram a ser feitos. Mas, temos muito ainda a evoluir e mais do que isso, internalizar. Existe um termo na escrita criativa chamado de "tokenismo". De forma resumida, fala de quando "uma mídia escrita incorpora um número mínimo de membros de grupos minoritários para gerar uma sensação de igualdade ou diversidade". Pensa aí: em livros, filmes e séries, por exemplo. Isso acontece, geralmente, quando existe apenas um personagem gay em meio a um grupo cis-hetero.

Um exemplo: o Brasil tem 12% de pessoas adultas que se identificam como assexuais, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros ou cerca de 19 milhões de pessoas, levando-se em conta os dados populacionais do IBGE. Além disso, uma pesquisa global lançada pelo instituto Ipsos confirma que a cada nova geração que surge existe um comportamento de maior aceitação de pessoas LGBTQIA+ em comparação com gerações anteriores. Mas, se analisarmos um estudo realizado pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília, sob a coordenação da professora Regina Dalcastagnè (2021), vemos que os narradores, protagonistas e coadjuvantes da literatura ainda são, na maioria, homens, brancos, de classe média, heterossexuais e moradores de grandes cidades.

O ponto é: nunca conseguiremos um mercado que fuja do simbolismo ao falar da causa LGBTQIA+ se pessoas desses grupos não estiverem presentes em locais de representatividade. E mérito elas têm. Diversidade é cultura que se propaga. Desse jeito, fugimos do oportunismo e damos voz a quem vê o mundo de uma maneira única. Afinal, suas vivências não podem ser representadas ou resumidas a um mês, a um dia, a uma linha de roupas com arco-íris (eu, particularmente, adoro, mas vocês são grandinhos pra entender a problemática). Acho que esse é o próximo passo: deixar que grupos minorizados falem em espaços amplos. Parece simples, mas exige esforço, investimento e vontade.

Todos têm a ganhar: outros Luans pequenos, ansiosos, com medo da vida, que vão ver pessoas com vivências semelhantes, ocupando espaços e sendo seus Eus verdadeiros por meio de suas expressões, opiniões, arte e escrita. E o mercado que começa a se aprofundar sobre o que de fato é equidade, oportunidade e ambientes inclusivos. Quem sabe assim todos aprendemos aquilo que quando crianças apenas não vimos.


28/06/2024

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