Durante a sua trajetória, colaborou com o jornal Correio do Povo, com jornais cariocas e revistas especializadas de história, geografia e folclore, nacionais e estrangeiras. Foi organizador do Pavilhão Cultural da Exposição Comemorativa do Centenário Farroupilha em Porto Alegre, em 1935. Foi membro da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRS) e do Instituto Brasileiro de Genealogia.
Foi diretor da imprensa oficial da Prefeitura de Porto Alegre entre 1939 e 1943, manteve ligações com grupos tradicionalistas e participou da formação de uma mitologia sobre o gaúcho e dos debates sobre a identidade regional. Foi um dos principais debatedores no processo de definição da data oficial de fundação de Porto Alegre.
O bibliógrafo Pedro Leite Villas-Boas relacionou 130 obras de Walter Spalding, entre livros, dramas, ensaios em revistas e boletins, excluindo grande número de artigos esparsos em jornais, comprovando sua dedicação à pesquisa e aos estudos da história. Essa longa bibliografia iniciou na escola com os primeiros versos, como a maioria dos brasileiros. Depois vieram as crônicas, os contos, a crÃtica literária e a dramaturgia.
Principais obras
• Farrapos (1931/1932)
• Poesia do povo (1934)
• Manuscrito nacional (1936)
• A revolução farroupilha (1939)
• El sistema lacustre sud-riograndense-oriental (1939)
• Esboço histórico do municÃpio de Porto Alegre (1940)
• A invasão paraguaia nas fronteiras do Brasil (1940)
• Farroupilha e Caramurus - a brasilidade dos farrapos (1944)
• Pecuária, charque e charqueadas no Rio Grande do Sul (1944)
• O Brasil na cartografia e na lenda (1945)
• O cruzeiro do sul - contos infantis (1947)
• Gênese do Brasil-Sul (1953)
• A grande mestra: Ana Aurora do Amaral Lisboa (1953)
• Tradições e superstições do Brasil-Sul (1955)
• Farrapos - 2ª edição ampliada (1957)
• A história e a lenda (1957)
• Epopeia Farroupilha (1958)
• Dois Vultos da História Gaúcha: Xavier Ferreira e Onofre Pires (1958)
• A Epopeia Farroupilha (1963)
• Pequena história de Porto Alegre (1967)
• Construtores do Rio Grande (1969)
• Uruguaios no Rio Grande do Sul
• Revolução farroupilha: biografias (1987)
Spalding escreveu sua obra definitiva sobre a Guerra Civil, dividindo-a em quatro partes. Na primeira, relacionou os chefes farroupilhas, destacando que eles não eram republicanos e nem separatistas por não terem proclamado a república em 20.09.1835, mas somente um ano depois, conforme afirmação de Olyntho Sanmatin e de acordo com a polÃtica de nacionalização de Getúlio Vargas.
Publicou em 1944 “Farroupilhas e caramurus – a brasilidade dos farrapos”, apresentando um resumo da história militar do Rio Grande do Sul. A segunda parte apresenta bibliografia comentada sobre a Guerra Civil dos Farrapos. Sem dúvida, Spalding se encontrou mais profundamente na pesquisa histórica. Era um historiador que baseava suas buscas da verdade, de forma autodidata. O seu diferencial está justamente aÃ: sem ter formação especÃfica de historiador, mergulhou em arquivos e museus buscando reconstruir a história, considerada por ele como “uma ciência sagrada, aliada à arte, conforme ensinamento de Augusto Comte”, como consta na sua apresentação escrita no Boletim Municipal nº 1.
Gostaria muito de ler algum conto dele. Lembro-me de ter adquirido num sebo sobre a Revolução Farroupilha, de sua autoria. Já não tenho meu exemplar, mas foi bem apreciado. MARIANGELA BOTELHO FRANCO, Rio de Janeiro30/09/2021 - 22:46
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