Biografia

Sou a mais velha de duas irmãs e nasci na cidade de São Paulo, no antigo hospital Matarazzo, na Av. Paulista. Morei no Pari e me criei na Vila Paiva, um lugar que já teve até brejo, a rua não era asfaltada. Eu e minha irmã lembramos muito bem da luz rosada, a primeira iluminação que existiu lá. Pegávamos vaga-lumes nos terrenos baldios, empinávamos pipa, andávamos de rolimã, fazíamos muitas guerras de mamona e, no verão, brincávamos na rua até às onze da noite. Minha mãe é professora, meu pai, mecânico de automóveis aposentado. Minha família era grande, muitos tios e primos, baianos, mineiros e cariocas, eu costumava viajar para visitá-los; nas festas na casa da vó, sempre tinha muita gente. Aliás, eu sou de um tempo em que todas as crianças da rua se conheciam, brincavam e iam à escola juntas.

Fui uma menina sempre muito curiosa, conversadeira e comunicativa, talvez seja por isso que tenho que falar através de imagens e palavras. Eu e as outras crianças da vizinhança, junto com as mães, montávamos peças de teatro, festas juninas e carnavais. As festas de aniversário eram feitas em casa e as mulheres se reuniam para fazer os quitutes. Quando me tornei adolescente, afastávamos o sofá e fazíamos bailes regados a chá com limão e a pão com carne de segunda. 

Sempre amei a natureza e gostava de observar os animais. Fazia passeios ao pico do Jaraguá e ao parque da Cantareira. Havia muitos terrenos baldios próximos de casa, onde eu encontrava formigueiros e observava os orifícios que as formigas faziam, e me imaginava naquele imenso labirinto junto com elas; me intrigavam as teias de aranha e ficava me perguntado como elas conseguiam tecer o fio. Como o vaga-lume acende sua luz? Como a minhoca desossada cavouca a terra dura? Em meio a tantas perguntas que passavam pela minha cabeça, eu desenhava e tinha a minha coleção de bichos. Quando adolescente, optei pelo curso de biológicas.

Também estudei música por uns dez anos, e minha mãe, com muita dificuldade, comprou um piano para mim, pagando em várias prestações, e eu fiz questão de que ele me acompanhasse para onde eu moro hoje, em Porto Alegre.

Quanto à minha experiência com livros, posso dizer que, quando eu ia para o interior do Estado de São Paulo, a Martinópolis, me deparava com o escritório do tio Ângelo cheio de livros e, depois, descobri que o bazar, que era da família, fora uma livraria, e os livros foram parar todos lá. Eu li muito Monteiro Lobato, Maria José Dupré, contos infantis como a Bela Adormecida, a Pequena Sereia, o Pequeno Polegar e diversos outros. Quando eu retornava para casa, os livros sempre vinham comigo no trem, dezoito horas de viagem para voltar à capital.

Depois de terminar o colégio, tive que trabalhar e fui atendente e bancária em dois bancos, trabalhei no mercado financeiro por quinze anos.

Nas minhas andanças procurando emprego, eu visitava museus, amava aquela solidão, ali eu meditava enquanto apreciava os traços, as pinceladas, as esculturas e imaginava como eram as pessoas que faziam aquilo, o que pensavam e sonhavam, como viviam suas vidas. Eu tinha vontade de fazer aquilo, mas ser artista parecia ser algo impossível, muito distante da minha realidade.

Dois lugares em São Paulo, a cidade imensa onde nos sentimos solitários em meio a milhares de pessoas, me deixavam à vontade, como se eu estivesse em casa, a Pinacoteca do Estado e o Centro Cultural da Vergueiro.

Quando eu saí do meu emprego de bancária, já morando em Porto Alegre, casada e com filho, decidi ser professora, como minha mãe, e fui estudar artes plásticas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Fiz muitos outros cursos importantes para definir o que sou hoje. Uma pós em design de superfície na Uniritter, o curso de design gráfico no Senac e o curso de escrita criativa na Metamorfose. Fui professora e lecionei para os pequenos da educação infantil e ensino fundamental, durante quatro anos, até que decidi trabalhar como ilustradora e escritora.

Escrevi e ilustrei dois livros: O Gatinho Preto, pela Editora Metamorfose (2017) e O Sabiá e a Primavera, pela Editora Vivilendo (2019). Participei da coletânea de contos Quando o Verbo Vira Trama, pela Editora Metamorfose (2020). Quem apreciar o meu trabalho, seja através da escrita ou ilustrações, talvez possa perceber que tenho uma ansiedade enorme por explorar tudo, ainda tenho no meu cerne a criança curiosa, e amo as artes visuais e a literária. Nas minhas explorações visuais uso aquarela, pintura em acrílica, colagem, fotografia e o computador. Faço meus livros pensando na criança que fui, mas também procuro colocar algo que me agrade nesta vida adulta, algo que me deixe feliz, um gatinho que encontrou um lar, o retorno da primavera, a moça que deixou de se importar com o julgamento alheio.

Para finalizar, espero que a fruição do meu trabalho seja uma forma de estímulo para a busca do que há de mais humano em nós. Que a Arte sempre aguce as nossas mentes, aqueça nossos corações e traga mais questionamentos para nos fazer crescer. Como pessoas que estão em constante busca pela felicidade de todos, prósperas, mas sem perder a docilidade, a razão e a ética, a empatia.